Pessoas em meio às sobras dos alimentos, outras sentadas atentas esperando os próximos caminhões para despejar mais restos que não servem para ser comercializados. Na calçada baldes com água e vinagre, caixotes, sacos de náilon e até pedaços de papelão, a espera do que pode ser aproveitado. Ao fundo muita sujeira e toda espécie de lixo amontoado, de onde vem um mau cheiro terrível. Um cenário triste, onde há mais personagens do que se possa imaginar.

A reportagem de O Imparcial esteve em alguns pontos da cidade e observou que ainda existem muitas pessoas que andam pelas feiras, supermercados, mercadinhos e entre outros lugares esperando os alimentos que serão descartados a qualquer momento.

Na Ceasa, local onde é comercializado diariamente grande quantidade de frutas, legumes, verduras e outros produtos, dezenas de pessoas saem pelos estabelecimentos pedindo aos proprietários doações. Outros ficam atentos aos horários que os caminhões fazem o despejo dos alimentos com avarias. José Conceição Marques, desempregado há mais de dois meses confessa que se submete a esta situação para não deixar os seis filhos passarem fome. Morador da Zona Rural de São Luís, do povoado Caraqueira - Mato Grosso, ele acorda de madrugada para ir a Ceasa coletar restos de alimentos para sua família. “A realidade é triste e muito dura, mas prefiro estar aqui catando estes alimentos a ter que roubar para conseguir levar comida para casa”, falou o catador.

As pessoas que catam os alimentos afirmam que muito do que é despejado no lixo dar para ser aproveitado, como por exemplo, muitas das vezes a fruta só está machucada ou com a casca preta. A viúva, Raimunda Lopes, mãe de quatro filhos todos ainda de menores inclusive o caçulo com apenas dois anos, desempregada há mais de três anos vive com a ajuda dos vizinhos e dos parentes. Então para complementar a alimentação ela recolhe os alimentos que são destinados ao lixo, contou ainda que tenta recolher os alimentos mais conservados.

Raimunda explicou que ao chegar em sua casa preparara logo uma solução com água e água sanitária para lavar os alimentos, no caso das verduras coloca-as em água morna e deixa dentro até esfriar. “Não gostaria de estar aqui nesta situação, porém é o que me resta, não tenho nenhuma fonte de renda. Sobrevivo pela boa vontade das pessoas que me ajudam”, disse.

Além das feiras, os “catadores de alimentos” ficam também á espreita próximo de grandes supermercados, pois como eles obedecem à lei 4747, que diz: é responsabilidade civil e criminal de qualquer dano causado aos receptores de alimentos doados recai sobre a companhia que os doou.

Como eles não conseguem as doações ficam nas proximidades dos estabelecimentos aguardando os horários específicos em que é realizado o descarregamento dos alimentos no lixo. Os alimentos que são dispensados são cortados em pedaços, mesmo assim os “catadores” colocam em suas sacolas ou carro de mão. Uma mulher, que não quis se identificar afirmou que a cada duas semanas ela sai de casa de ônibus às cinco horas da manhã acompanhada de uma vizinha para ficar esperando o caminhão do supermercado. Ela contou que sabe que não pode pegar, até aconteceu dos guardas as expulsarem do local.

“Eu sei que não posso pegar que eles recebem ordens para jogar fora. Mas tenho quatro filhas para sustentar, meu marido está desempregado há seis meses. As frutas, verduras, bolos que acho no lixo já é um lanche”, falou com tristeza.

Reaproveitamento

O Projeto Cooperar, da Cooperativa dos Hortifrutigranjeiros do Maranhão - Ceasa. Com o objetivo de evitar o desperdício de alimentos como frutas, legumes e verduras, distribui gratuitamente a cerca de 200 famílias carentes dos bairros Jaracati, Anjo da Guarda, Ilhinha, Tibiri, entre outros. Alimentos que não foram vendidos passam por higienização e são doados a famílias cadastradas no projeto.

O Imparcial 

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